quarta-feira, 26 de março de 2008

"que seja feliz... se puder..."




Casual encontro
de prazeres, sorridos, tímidos
Conversas de palavras vãs
Apenas curiosidades...
Nasce de cada toque inconsciente
do descontrole pertinente
uma folha ao vento,
que de leve, põe-se a girar.
Pelo puro chamego afável
nos seus olhos busco o ponto
do sorriso se tornar inevitável
Olhos que te gosto vê-los
tão lá dentro que te dispo
e nua se coloca em pranto
tão delicada, te vê-la encanto.
Que desculpas? Que perdão?
Só aqueces um coração
Não mais leve que outrora
Este vento varre agora
um moinho, uma aurora.
De certo o percalço então
É o tempo de um suspiro
do correr num desatino
viver antes de ir embora
Gozar que do ventinho
desfolhou-se furacão!
Diferente dantes, não amedronta.
Se a distância ajuda insisto
não preocupo-me com sofrimento
Mas, me recuperas de pronto
de tão doloroso desencontro.
Momentaneamente, quem sabe, finda;
Não a porta do jardim aberta acima,
mas que encerra ou interrompe minha sina

quarta-feira, 12 de março de 2008

tudo mudou



O rouge virou blush
O pó-de-arroz virou pó-compacto

O brilho virou gloss

O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch

Anabela virou plataforma
O corpete virou porta-seios

Que virou sutiã

Que virou lib

Que virou silicone

A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento

A escova virou chapinha
"Problemas de moça" viraram TPM
Confete virou MM

A crise de nervos virou estresse

A chita virou viscose

A purpurina virou gliter
A brilhantina virou mousse

Os halteres viraram bomba

A ergométrica virou spinning

A tanga virou fio dental
E o fio dental virou anti-séptico bucal

Ninguém mais vê...

Ping-Pong virou Babaloo

O a-la-carte virou self-service
A tristeza, depressão
O espaguete virou Miojo pronto
A paquera virou pegação
A gafieira virou dança de salão
O que era praça virou shopping
A areia virou ringue
A caneta virou teclado
O long play virou CD
A fita de vídeo é DVD
O CD já é MP3

É um filho onde éramos seis
O álbum de fotos agora é mostrado por email
O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo
E do "não" não se tem medo
O break virou street
O samba, pagode
O carnaval de rua virou Sapucaí
O folclore brasileiro, halloween
O piano agora é teclado, também
O forró de sanfona ficou eletrônico

Fortificante não é mais Biotônico
Bicicleta virou Bis
Polícia e ladrão virou counter strike
Folhetins são novelas de TV
Fauna e flora a desaparecer
Lobato virou Paulo Coelho
Caetano virou um chato
Chico sumiu da FM e TV
Baby se converteu
RPM desapareceu
Elis ressuscitou em Maria Rita?
Gal virou fênix
Raul e Renato,
Cássia e Cazuza,
Lennon e Elvis,
Todos anjos
Agora só tocam lira...
A AIDS virou gripe
A bala antes encontrada agora é perdida
A violência está coisa maldita!
A maconha é calmante
O professor é agora o facilitador
As lições já não importam mais
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz...
... De tudo
Inclusive de notar essas diferenças


Luiz Fernando Veríssimo